Pátria, de Fernando Aramburu

Editado em Março pela Dom Quixote, este Pátria, do Espanhol Fernando Aramburu, arrisca-se a ser um dos lançamentos do ano.

Até agora, o livro ganhou entre outros, o Prémio Nacional de Narrativa, o Prémio Nacional da Crítica e o Prémio Euskadi de Literatura.

Fernando Aramburu não é um escritor muito conhecido em Portugal. Em 2010 a editora Minotauro tinha editado por cá o livro de contos Os peixes da amargura e a Teorema havia dado à estampa em 2004 o livro A vida de um piolho chamado Matias.

Este Pátria, é sem dúvida a sua obra maior. Até pelo tema do livro em si, a ETA e a independência do País Basco.

Fernando Aramburu vive na Alemanha desde os anos 80 e foi nesse País que durante três anos escreveu o romance. A questão da ETA não é virgem na sua obra, já em Peixes da amargura (2010) havia escrito sobre o assunto.

Nesta obra porem, estão patentes mais de trinta anos da vida do País Basco sob o terrorismo.

Sinopse: No dia em que a ETA anuncia o abandono das armas, Bittori dirige-se ao cemitério para, na sepultura do marido, Txato, assassinado pelos terroristas, lhe contar que decidira voltar à casa onde tinham vivido os dois. Mas poderá ela conviver com aqueles que a perseguiram antes e depois do atentado que transtornou a sua vida e a da família? Poderá saber quem foi o encapuzado que num dia chuvoso matou o marido, quando este regressava da sua empresa de transportes?

Por mais que chegue às escondidas, a presença de Bittori alterará a falsa tranquilidade da terra, sobretudo a da vizinha Miren, amiga íntima noutros tempos, e mãe de Joxe Mari, um terrorista encarcerado e suspeito dos piores receios de Bittori. O que aconteceu entre essas duas mulheres? O que envenenou a vida dos filhos e dos respetivos maridos, tão unidos no passado? Com lágrimas escondidas e convicções inabaláveis, com feridas e coragem, a história arrebatadora das suas vidas, antes e depois da tormenta que foi a morte de Txato, fala-nos da impossibilidade de esquecer e da necessidade de perdoar numa comunidade fragmentada pelo fanatismo político.

António Góis

Junho de 2018

 

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