Aquilino Ribeiro e o Regicídio de 1908

Posta de parte durante algumas décadas, a questão de Aquilino Ribeiro ter ou não participado no regicídio de 1908, reacendeu-se em 2007 quando se decidiu a trasladação dos seus restos mortais para o Panteão Nacional.

Em abono da verdade, não existe qualquer prova de que Aquilino tenha participado no regicídio que vitimou o Rei D. Carlos e o seu filho o Príncipe D. Luís.

Conta Raul Brandão no seu livro Memórias (Renascença Portuguesa, Porto, 1919) e também o próprio Aquilino em Um Escritor Confessa-se (Bertrand, 1974) que não estaria nos planos matar o Rei. O que Buiça e Costa tinham planeado era assassinar o Ministro João Franco, e para tal andavam havia três dias a tentar embosca-lo.

Como tal, nesse mesmo dia 01 de Fevereiro, ficara combinada uma emboscada ao Ministro na Avenida Alexandre Herculano. Conta Raul Brandão que Buiça e Costa terão perdido a hora a que o Ministro por ali passou, o que impossibilitou o ataque.

Resolvem então ir para o Terreiro do Paço onde se preparava a recepção ao Rei, certos de que João Franco mais tarde ou mais cedo, haveria de acabar por passar no local.

Seriam cinco, os regicidas. Domingos Ribeiro, Alfredo Costa, Manuel Buiça e mais dois elementos cujos nomes não foram referidos.

Em nenhuma das duas obras, quer na de Raul Brandão, quer na de Aquilino Ribeiro, é referido que Aquilino estivesse nesse dia no Terreiro do Paço. O que se refere, isso sim, é que nessa altura o mesmo se encontrava escondido numa casa na rua Nova do Almada em frente ao tribunal da Boa Hora, já que em 12 de Janeiro se havia evadido da prisão.

Afirma Aquilino que conspirou contra a Monarquia, e o facto de ter sido preso foi devido ao fabrico de bombas a serem utilizadas em atentados, mas o regicídio não foi um atentado bombista.

No entanto, da fama nunca se livrou e o exílio em Paris seria o passo seguinte.

António Góis 

Junho de 2018

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