Nó Cego, de Carlos Vale Ferraz

Em boa hora a Porto Editora decidiu reeditar este clássico de Carlos Vale Ferraz. Escreveram-se em Portugal dois livros que o tempo viria a tornar em clássicos sobre o tema que durante muitos anos foi tabu: A guerra colonial.

Um é este, Nó Cego (1982), o outro chama-se Autópsia de um mar de ruínas, e foi escrito por João de Melo em 1984.

Com a acção localizada no norte de Moçambique, a narrativa de Nó Cego acompanha uma companhia de Comandos durante a guerra colonial e a operação Nó Górdio. Há uma inesquecível galeria de personagens que vão desde os praças o Vargas, o Espanhol, o Casal Ventoso, o Torrão, o Freixo, o cabo Cabral ou o alferes Lino, todos eles com histórias de vida para contar, enquanto à sua volta vão rebentando as minas e se ouvem as rajadas das G3.

Autentico exercício de memória, Nó Cego é um livro essencial para a compreensão deste período conturbado da historia de Portugal que afectou toda uma geração que combateu na guerra colonial.

Nesta edição, embora mantendo toda a estrutura da obra, Carlos Vale Ferras fez uma revisão de texto a fim de intensificar a narrativa, mas o livro não perde com isso. Um dos grandes romances do nosso tempo que já se tornou, em Portugal e não só, um autentico caso de estudo.

Carlos Vale Ferraz, ele próprio um ex-oficial dos Comandos, cumpriu diversas comissões nas ex- colónias Portuguesas. Sabe portanto sobre o que escreve. Sabe muito bem mesmo.

Carlos Vaz Ferraz, é o pseudónimo literário de Carlos Matos Gomes, e Nó Cego foi a sua primeira incursão na ficção.

António Góis

Junho de 2018

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