Estuário, de Lídia Jorge

Já está nas livrarias, o ultimo livro de Lídia Jorge, Estuário (D. Quixote,2018).

Na prosa segura a que já nos habituou, Lídia Jorge apresenta-nos Edmundo Galeano, personagem oriundo de uma família em queda livre que regressa a Portugal vindo de um campo de refugiados no Quénia onde prestou ajuda humanitária. Edmundo vem ferido, a mão direita desfigurada, mas as feridas maiores são as que traz dentro de si.

Refugia-se em Portugal, no seio da família, mas se esperava encontrar ali alivio quer para as dores físicas, quer para as outras, depressa depreende que as coisas não se vão passar bem assim.

O que Edmundo Galeano encontra é uma família a desmoronar-se e em guerra consigo própria. Entre bens arrastados, ódios e intrigas familiares, o protagonista tenta escrever um livro com a história de tudo o que deixou para trás, afinal uma forma de ir avisando o futuro de que tudo tem um fim. Enquanto isso, o drama familiar vai correndo como qualquer rio em direcção a um estuário, local onde por definição se misturam as águas e neste caso as histórias.

Romance sobre uma sociedade em crise, quer económica quer de valores, Estuário é sobretudo uma reflexão humanitária dos dias correntes.

Lídia Jorge mais uma vez escreve, e muitíssimo bem, sobre um dos grandes temas do nosso tempo.

António Góis

Julho de 2018

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