Os livros incompletos

 

  Ao longo dos tempos, muitos foram os escritores que a morte surpreendeu enquanto trabalhavam num livro. Algumas das obras seriam terminadas por outros autores e publicadas. Outras, seriam publicadas mesmo como os autores as deixaram. Abaixo seguem alguns exemplos de livros que ficaram incompletos por morte dos respectivos autores.

  Charles Dickens (1812-1870) trabalhava num livro quando morreu. Era o seu primeiro policial, tinha o título de O Mistério de Edwin Drood e ficou incompleto com a morte do autor. O livro tratava de um triângulo amoroso, do vício das drogas, assédio sexual e crime. Tratando-se de uma história de crime, com a morte do autor ficou o mesmo por desvendar. Mas, houve um jovem Americano que dizendo que o espirito de Dickens havia descido até ele, tratou de acabar de escrever o livro. O mesmo encontra-se pois publicado, embora nunca tenha sido reconhecido pela comunidade literária como um verdadeiro livro de Dickens.

  Quando morreu aos 44 anos, Robert Louis Stevenson (1850-1894) estava a trabalhar num livro que havia anunciado ser a sua obra-prima. Tinha o título de Weir of Hermiston e viria a ser publicado em 1896. Stevenson teria deixado um esboço com o final do mesmo. Tratava-se de uma história de confronto entre Pai e filho, passada em Edimburgo e tem como pano de fundo as guerras Napoleónicas.

  Franz Kafka (1883-1924) uma das maiores influências literárias do seculo 20, deixou entre outras obras, um romance por terminar. O Castelo, que viria a ser publicado em 1926. O livro termina a meio de uma frase precisamente quando um novo personagem entra em cena.

  Também em Portugal houve escritores que deixaram obras inacabadas.

  Jorge de Sena (1919-1978) quando faleceu deixou inacabado um dos maiores romances do seculo 20 Português. Sinais de Fogo, que acabaria por ser publicado no ano seguinte à morte do autor. Publicado evidentemente apenas a parte que Jorge de Sena havia escrito, ao que se sabe tencionava ainda escrever outro tanto. Sinais de Fogo é um romance autobiográfico, passado em Lisboa e na Figueira da Foz e com ramificações à guerra civil Espanhola.

  José Saramago (1922-2010) também deixou por terminar um livro quando do seu falecimento. Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas, narra a  história de Artur Paz Semedo, um homem fascinado por peças de artilharia, empregado numa fábrica de armamento, que leva a cabo uma investigação na sua própria empresa, incitado pela ex-mulher, uma mulher com carácter, pacifista e inteligente. A evolução do pensamento do protagonista permite-nos refletir sobre o lado mais sujo da política internacional, um mundo de interesses ocultos que subjaz à maior parte dos conflitos bélicos do século 20. O livro foi publicado em 2014 quatro anos após a morte do autor.

  Outros autores como Gustave Flaubert, John Steinbeck, Jane Austen ou Albert Camus, deixaram também obras incompletas. Voltaremos ao assunto mais tarde.

António Góis

Setembro de 2018

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