#01 – Robinson Crusoé

 

   Não existindo hoje dúvidas de que o romance moderno nasceu com Quixote de La Mancha em 1605, também não existirão certamente dúvidas de que Robinson Crusoé de Daniel DeFoe (1660 – 1731) publicado em 1719, foi o grande impulsionador do romance de aventuras de língua Inglesa.

   DeFoe inspirou-se nos relatos de viagens da época e também no naufrágio de um marinheiro Escocês, Alexander Selkirk, que teria vivido durante quatro anos numa ilha deserta. O acontecimento deu-se dez anos antes de DeFoe escrever as aventuras de Robinson Crusoé.

   Daniel Defoe escreveu três volumes sobre Robinson Crusoé. A Vida e as Estranhas e Surpreendentes Aventuras de Robinson Crusoé, em 1719, Outras Aventuras de Robinson Crusoé, no mesmo ano, e um ano mais tarde, Reflexões Sérias ao Longo da Vida e das Surpreendentes Aventuras de Robinson Crusoé.

  Nascido em Londres em 1660, escreveu Robinson Crusoé aos 59 anos de idade depois de uma vida de comerciante e de jornalista. Na verdade DeFoe foi mesmo o maior jornalista do seu tempo, tendo fundado  o jornal periódico The Review praticamente sozinho. Na altura tinha com contemporâneos escritores como Alexander Pope (1688 – 1744) autor de Essay on Criticism (Ensaio sobre a crítica, 1711), e Essay on Man (Ensaio sobre o Homem, 1733), e também Jonathan Swift, (1667 – 1745) autor de As Viagens de Gulliver (1726).

   Para além de Robinson Crusoé, DeFoe escreveu outros romances como Moll Flanders (1722) e Coronel Jack também no mesmo ano. Em 1724 escreveu ainda o romance Roxana. Ao todo estima-se que tenha escrito mais de quinhentas obras entre história, biografia, romance, polémicas políticas e religiosas, sátiras e poemas.

   Em Robinson Crusoé, DeFoe optou por colocar a voz narrativa na primeira pessoa como se de uma autobiografia se tratasse.

   Na primeira parte do livro, o herói (o jovem Robinson) é aconselhado pelo pai a dedicar-se ao negócio de família, coisa que ele ignora e acaba embarcando num navio em busca de aventura. É feito escravo, acaba por escapar e torna-se fazendeiro no Brasil. Em seguida mete-se no tráfico de escravos e acaba por naufragar na ilha.

   Por aqui se verifica que o jovem Robinson quer ser ele próprio a construir o seu destino, em vez de ficar em casa e ser apenas o herdeiro do negócio familiar. Nota-se aqui a sua rebeldia em relação à figura paternal. Mas, o que no início era apenas o desejo de aventura, acaba por tornar-se com o tempo no desejo de fazer fortuna, como sejam a plantação no Brasil e o tráfico de escravos.

   Na segunda parte, temos Robinson sozinho na ilha deserta. Aqui o tema é a solidão e a sobrevivência. Durante muitos anos Robinson não avista outros seres humanos e vai sobrevivendo na sua solidão. Um dia avista uma pegada humana na areia e a sua vida passa a ser dominada pelo medo. Robinson refugia-se no seu esconderijo e recusa sair. Quando por fim volta a visitar o local, apercebe-se de que os indígenas costumam visitar aquela parte da ilha para fazer banquetes com os seus prisioneiros.

   Um dia salva um dos prisioneiros a quem dá o nome de Sexta-feira e a partir dai Robinson tem pela primeira vez a companhia de um ser humano na ilha. Sexta-feira passa a ser o seu criado e juntos conseguem salvar mais dois prisioneiros e correr com os selvagens. Agora, além de ser dono e senhor da ilha, Robinson tem também criados. Ele é o rei, a ilha a sua colónia, e todos os outros existem para o servir. Corria assim a vida a Robinson quando aporta á ilha um navio Inglês que traz alguns piratas prisioneiros. Robinson liberta os piratas e com a ajuda destes captura o barco.

   Na terceira parte, deixa a ilha a bordo do navio capturado, vinte e oito anos depois de ali ter naufragado e dirige-se para Inglaterra levando com ele Sexta-feira. Dali viaja até Lisboa para saber dos negócios que deixara no Brasil. Regressa em seguida a Inglaterra, desta vez viajando por terra. Casa, tem filhos, e retorna à ilha em visita. Dali parte então para o Brasil onde se estabelece.

   Nesta terceira e última parte, a acção é acelerada por Defoe, os problemas são resolvidos em poucas páginas, e o final fica em aberto com Robinson a falar em futuras aventuras.

   Hoje em dia, este e outros romances da altura são todos eles acusados de serem literatura colonial, mas na verdade não passam de romances que reflectem a época em que foram escritos. O próprio DeFoe é considerado um pioneiro em Inglaterra no que ao realismo diz respeito, um autor que viria a influenciar os romancistas do Século XIX.

 

 

In, Histórias da Literatura

“O Romance de Aventuras´´

         de, António Góis

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