#02 – Os Três Mosqueteiros

   

   Um por todos, e todos por um. Esta é sem dúvida uma das mais célebres frases dos romances de aventuras. Trata-se do famoso grito de Os Três Mosqueteiros, romance de Alexandre Dumas escrito em 1844.

Dumas (1802 – 1870) era Francês e filho de um dos grandes Generais de França na altura. Era também neto de um Marquês e de uma das suas escravas, Marie – Césette Dumas.

Alexandre Dumas chegou a Paris com vinte anos, em 1822 para trabalhar como secretário do Duque de Orleães e foi ai que teve inicio a sua vida literária. Começou por escrever peças de teatro, e mais tarde quando se apercebeu de que os jornais da época necessitavam de folhetins, aventurou-se na escrita dos mesmos. É assim que em 1838 tem inicio a publicação de O Capitão Paulo, o seu primeiro romance/folhetim no jornal La Press.

Amigo pessoal de Vítor Hugo e inimigo declarado de Balzac, Dumas tinha como rivais literários nos romances/folhetins de aventuras os autores Ponson Du Terrail que escreveu As Aventuras de Rocambole, e também Paul Feval, autor do personagem Lagardére. Outros autores escreviam folhetins nos jornais, entre os quais Vítor Hugo, mas estes eram os que mais se dedicavam aos romances/folhetins de aventuras.

Este tipo de romances era produzido em série. Tanto Alexandre Dumas como Ponson Du Terrail tinham inúmeros colaboradores que lhe escreviam os capítulos dos diversos romances publicados diariamente nos jornais.

Dois dos mais famosos colaboradores foram, August Maquet na equipa de Dumas, e Paul Feval na equipa de Ponson Du Terrail. Paul Feval viria a sair da sombra de Terrail e começaria a escrever em nome próprio os seus romances/folhetins para os jornais. Para isso criou o personagem Lagardére e escreveu uma série de folhetins com este personagem.

De todos, Dumas era quem mais folhetins publicava e mais dinheiro ganhava. No entanto, fruto do seu estilo de vida, tudo gastava em festas, banquetes, mulheres e jogo. Entrava assim frequentemente em falência e com mais frequência ainda era perseguido pelos credores.

Tal como a maioria dos seus romances, Os Três Mosqueteiros começou por ser um folhetim publicado num jornal. Surgiu em 1844 no La Siécle e foi depois publicado em livro ainda no mesmo ano pelas Edições Baudry. O seu sucesso foi tal que rapidamente ascendeu ao estatuto de clássico de capa e espada, estatuto que ainda hoje mantém.

Para escrever Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas inspirou-se no livro Memoires de M. Dartagnan, que o também Francês Gatien Coutilz De Sandras escrevera em 1700.

Este é o primeiro volume de uma trilogia, Dumas escreveria mais dois volumes dedicados a Dartagnan, Vinte anos depois em 1845, e o Visconde de Bragelonne em 1848. A trilogia vale sobretudo por este primeiro volume, já que os outros dois surgiram apenas à boleia do sucesso de Os Três Mosqueteiros. Quer no aspecto narrativo/construtivo, quer na própria prosa, existe uma grande diferença entre o primeiro e os outros dois volumes.

A acção de Os Três Mosqueteiros é focalizada na França do Século XVIII, durante o reinado de Luís XII e a narrativa tem início com o jovem Dartagnan, então com dezoito anos, a viajar para Paris com a finalidade de entrar no corpo de Mosqueteiros do Rei, ao qual o seu Pai também tinha pertencido.

É chegado a Paris que conhece então Athos, Phorthos e Aramis, estes já Mosqueteiros e com quem vai viver as aventuras narradas por Dumas. E aventura é o que não falta durante todo o livro, ou não fosse Dumas um dos mais imaginativos autores do género. Duelos, intrigas politicas, cavalgadas e raptos, tudo interligado com drama e comédia são a formula do seu sucesso.

Durante o romance é-nos apresentada também uma galeria de personagens absolutamente notável, como o Cardeal Richelie, o seu esbirro Rochefort, a misteriosa Millady de Winter, ou ainda o próprio Rei Luis XIII e a Rainha Ana, da Áustria. Isto Evidentemente para além de Dartagnan, dos Mosqueteiros e Constance, uma das aias da Rainha e amada de Dartagnan.

Contudo, apesar dos Mosqueteiros personalizarem os valores morais como a coragem, a lealdade e a honra, Dumas não lhes coloca a auréola de santos. Assim, ao longo do romance vamos descobrindo o outro lado dos personagens. Athos tem problemas com o álcool, Phorthos tem amantes e é chantagista, Aramis apesar de tentar viver com um pé no céu, afinal tem o outro no inferno e até o próprio Dartagnan revela fraquezas de caráter.

A autoria dos romances de Dumas sempre foi posta em causa ao longo do tempo. Quando morreu em 1870 estava outra vez falido. Deixou assinadas com o seu nome mais de 250 obras, entre peças de teatro, romances, crónicas de viagens e ensaios.

Em 30 – 11 – 2002 o seu corpo foi transladado para o Panteão de Paris onde repousa ao lado de Vitor Hugo e Voltaire. A cerimónia foi transmitida pela televisão Francesa e o caixão carregado por quatro homens trajados de Mosqueteiros.

 

In, Histórias da Literatura

“O Romance de Aventuras´´

         de, António Góis

 

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