#03 – Viagem ao Centro da Terra

   

   Na sua casa em Hamburgo, o Professor Lidenbenbrock descobre dentro de um livro antigo um manuscrito de um alquimista Islandês do Século XVI, no qual este revela ter atingido o centro da terra através da cratera do vulcão Sneffels, situado na Islândia. É assim que tem inicio a aventura de Viagem ao Centro da Terra, publicada em 1864.

   Misturando aventura com descobertas científicas, Júlio Verne escreveu durante a sua vida obras que se tornaram verdadeiros ícones da literatura, casos de, Da Terra à Lua, Vinte Mil Léguas Submarinas, A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, A esfinge dos Gelos, A Ilha Misteriosa, e inevitavelmente Viagem ao Centro da Terra, obra hoje catalogada com ficção-cientifica.

   Em Viagem ao Centro da Terra o narrador é o jovem Axel, sobrinho do excêntrico Professor Lidenbrock, e é sobre o personagem narrador que os efeitos da aventura mais se fazem sentir. Ele é o jovem que regressa modificado da aventura, mais amadurecido, portanto logo aqui o romance segue também o parâmetro habitual da formação do herói.

   Querendo seguir os passos do autor do manuscrito, o professor Lidenbrook partem então para a Islândia onde contratam um guia local, Hans Bjelk, que terá a missão de os conduzir ao vulcão.

   Como é habitual nos seus romances, Júlio Verne tem também aqui um cuidado especial na composição dos personagens. O professor Lidenbrook, professor de minerologia e cientista, não era segundo as palavras do próprio sobrinho, um homem mau. Era sim um tipo excêntrico e mesmo avaro que durante as aulas chegava ao ponto de se enraivecer e ter acessos de cólera para com os alunos. Como cientista, era respeitado no meio, e fruto do seu mau feitio, poucos eram os que se atreviam a contradizer os seus pontos de vista.

   O sobrinho Alex, narrador da história, é um jovem com pouca coragem para este tipo de aventuras. Vive com o tio e mantem às escondidas um romance com a jovem Grauben, a afilhada do tio. É arrastado para a aventura contra a sua vontade, mas como sempre obedece ao Tio acaba por o acompanhar à Islândia.

   O terceiro personagem é o guia local contratado para os levar ao vulcão Sneffels. De seu nome Hans Bjelk, é um caçador local, um tipo forte e calmo, conhecedor do terreno e dos perigos que o mesmo poderia oferecer. Enfrenta toda e qualquer situação com uma calma e tranquilidade invulgar.

   Partem assim para o vulcão e para a maravilhosa aventura descrita por Verne na obra.

   Uma vez no interior da cratera do vulcão, é todo um mundo de aventuras, perigos e descobertas que se abre para os três personagens.

   Júlio Verne nasceu em Nantes, França, no ano de 1828 e faleceu em Amiens em 1905. Deixou várias obras por publicar à data da sua morte, das quais o filho se encarregaria de publicar. Entre essas, encontram-se Paris no Século XX publicada em 1989, A Missão Barsac e O Eterno Adão.

   Os seus romances caracterizavam-se pelo facto de terem a ciência como pano de fundo e as viagens a lugares longincos e exóticos como destino.

   Era bem conhecida a admiração de Verne pela obra de Edgar Allan Poe. Tal facto levou a que em 1897 escrevesse A Esfinge dos Gelos, continuação de As Aventuras de Arthur Gordon Pym que Poe escrevera em 1838.

   António Gramsci, jornalista e crítico literário viria a chamar-lhes Romances Geográfico-Científicos.

 

In, Histórias da Literatura

“O Romance de Aventuras´´

         de, António Góis

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